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Nota · Prevenção

10 de setembro — Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Alguns sinais merecem atenção, em quem amamos e em nós mesmos: isolamento crescente, perda de interesse por coisas que antes importavam, mudanças bruscas de humor, de sono ou de apetite, aumento do uso de álcool ou outras substâncias, falas sobre morte ou sobre não ver saída, e despedidas incomuns. Nenhum desses sinais isolado confirma risco. A atenção cresce quando vários aparecem juntos.

Publicado em 10 de setembro de 2026 · Dr. Guilherme Loureiro Fracasso, médico psiquiatra (CRM-RS 36.500 | RQE 32.771)

Em 10 de setembro, o Centro de Valorização da Vida lidera a campanha Setembro Amarelo 2026, em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, com o tema deste ano: escutar é estar presente.

O suicídio é considerado pela Organização Mundial da Saúde um problema de saúde pública que pode ser prevenido. O Brasil registrou 16.468 óbitos por suicídio em 2022, segundo o Ministério da Saúde, que lançou em 2024, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde, a versão em português do guia Viver a Vida, com estratégias de prevenção baseadas em evidência.

Um dado orienta praticamente tudo o que se sabe sobre prevenção: mais de 96% dos casos de suicídio estudados estavam associados a um transtorno mental, na maior parte das vezes não diagnosticado ou não tratado de forma adequada. Por isso, o fator de proteção mais forte que a ciência reconhece hoje não é um hábito nem uma virtude pessoal, é o acesso a avaliação e tratamento psiquiátrico. Ao lado dele, a tentativa prévia de suicídio é o principal fator de risco individual, o que reforça que acompanhamento contínuo, e não só o momento de crise, é o que protege.

Alguns sinais merecem atenção, em quem amamos e em nós mesmos: isolamento crescente, perda de interesse por coisas que antes importavam, mudanças bruscas de humor, de sono ou de apetite, aumento do uso de álcool ou outras substâncias, falas sobre morte ou sobre não ver saída, e despedidas incomuns. Nenhum desses sinais isolado confirma risco. A atenção cresce quando vários aparecem juntos.

Ao lado do tratamento, a pesquisa em saúde pública reconhece outros fatores de proteção, mais modestos, que se somam ao cuidado clínico sem substituí-lo: vínculos sociais e familiares saudáveis, um sentido de propósito na vida, capacidade de lidar com problemas e crises, sono, alimentação e atividade física cuidados, e ausência de uso nocivo de álcool e outras substâncias. Nenhum deles, isolado, previne suicídio, e todos juntos não substituem avaliação profissional diante de risco real.

Isso também significa não ignorar quando algo muda. Uma noite maldormida, isolada, não diz muito. Uma pessoa que passou a dormir mal, comer diferente, se afastar de quem ama e falar como se nada mais importasse, ao mesmo tempo, está pedindo mais atenção, não menos.

Pedir ajuda não é fraqueza. Procurar ajuda para alguém que amamos não é invasão, é cuidado.

Se você ou alguém próximo está passando por um momento de angústia, o Centro de Valorização da Vida oferece escuta sigilosa e gratuita pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br, todos os dias, 24 horas. Também é possível procurar o Centro de Atenção Psicossocial ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Em situação de risco imediato, o SAMU, pelo telefone 192, e as Unidades de Pronto Atendimento são portas de entrada para socorro médico.

Nenhum texto substitui o olhar de um profissional e uma conversa verdadeira. Se este for o seu caso hoje, considere que um pedido de ajuda pode ser o primeiro passo para que as coisas voltem a fazer sentido.

Dr. Guilherme Loureiro Fracasso · Médico Psiquiatra · CRM-RS 36.500 | RQE 32.771

Referências

  1. Organização Pan-Americana da Saúde. Viver a vida: guia de implementação para a prevenção do suicídio nos países. Brasília, DF: OPAS, 2024.DOI 10.37774/9789275724248 (abre em nova aba)
  2. World Health Organization. LIVE LIFE: an implementation guide for suicide prevention in countries. Geneva: WHO, 2021. ISBN 978-92-4-002662-9.
  3. Ministério da Saúde (Brasil). Dado de 16.468 óbitos por suicídio no Brasil em 2022, Sistema de Informação sobre Mortalidade, divulgado por ocasião do lançamento do guia Viver a Vida, setembro de 2024.
  4. Associação Brasileira de Psiquiatria; Conselho Federal de Medicina. Suicídio: informando para prevenir. Cartilha da campanha Setembro Amarelo.
  5. Bertolote JM. Quadro de fatores de risco e de proteção para o suicídio (OMS, 2001-2002), citado por fontes acadêmicas brasileiras independentes. Publicação original da OMS não verificada diretamente nesta nota.
  6. Firth J, Solmi M, Wootton RE, et al. A meta-review of "lifestyle psychiatry": the role of exercise, smoking, diet and sleep in the prevention and treatment of mental disorders. World Psychiatry. 2020;19(3):360-380.DOI 10.1002/wps.20773 (abre em nova aba)

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