Artigo · Dia Mundial da Saúde Mental
O papel da escuta na hora de acolher as "experiências vividas" e construir conexões
No Dia Mundial da Saúde Mental, uma reflexão sobre o quanto a escuta ativa valoriza quem nos fala e também sobre o que ela pode nos dizer, em consultório ou não, sobre a saúde do outro.
Publicado em 10 de outubro de 2026 · Dr. Guilherme Loureiro Fracasso, médico psiquiatra (CRM-RS 36.500 | RQE 32.771)

Hoje, 10 de outubro, é o Dia Mundial da Saúde Mental. O tema escolhido para a campanha deste ano pela Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH) é "Experiências vividas ouvidas: vozes reais, mudanças reais", no original, "Lived Experiences Heard: Real Voices, Real Change" (WFMH, 2026).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), "experiência vivida" reflete algo que a própria pessoa viveu, sobretudo quando isso lhe traz o conhecimento que quem apenas ouviu falar ou estudou não tem sobre o tema (OMS, 2026). Acho que o conceito é esse mesmo, mas vai além: "experiência vivida" é aquilo que vivemos com nossa própria pele, nos fazendo únicos, e mais, é o que nos trouxe até aqui, a nossa história.
Não falo só de ouvir o que está sendo dito, mas de praticar uma escuta ativa, dando, mais do que atenção, um acolhimento livre de julgamentos que permita ao outro se sentir visto, compreendido e respeitado.
Escuta ativa não é só coisa de médico. Todos deveríamos praticá-la no dia a dia. Além de costurar relações mais autênticas, nutre a confiança e a empatia entre as pessoas, permitindo que vivenciem conexões mais profundas e verdadeiras.
Para nós, médicos, essa postura é imprescindível, pois sustenta a relação terapêutica, base de um bom mapa de tratamento e o farol que ilumina nossa caminhada, ao lado do paciente.
Para mim, oferecer escuta ativa é um princípio inegociável. Afinal, ela abre espaço para a narrativa das entrelinhas, que mostra o que realmente está acontecendo com quem nos fala. Ela permite, sobretudo, que assistamos, de um lugar de privilégio, à maravilhosa costura que dá origem à colcha de retalhos que compõe cada um de nós. E isso é fantástico.
É o que busco ao unir medicina baseada em evidências, psicoterapia, neurociência aplicada e uma escuta verdadeiramente humana. É o que, ao longo da minha trajetória, me ajudou a elevar as conversas de consultório ao patamar de protagonistas e, felizmente, me levou à Psiquiatria do Estilo de Vida, cujos pilares me concedem o privilégio de cuidar de cada pessoa como um ser único, repleto de vivências próprias, que merece, por direito, uma escuta acolhedora, o respeito à sua história e uma assistência digna, em total harmonia com o que garantem a nossa Constituição e os tratados internacionais de direitos humanos.
Encerro com uma provocação para você refletir e levar à próxima consulta: o que você gostaria de compartilhar sobre a sua história?
Dr. Guilherme Loureiro Fracasso
Médico Psiquiatra
CRM-RS 36.500 | RQE 32.771
Fontes
- BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [1988].planalto.gov.br ↗ (abre em nova aba)
- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris: Assembleia Geral da ONU, 1948.unicef.org ↗ (abre em nova aba)
- WORLD FEDERATION FOR MENTAL HEALTH. World Mental Health Day 2026: announcing this year's theme. 11 ago. 2026.wfmh.global ↗ (abre em nova aba)
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Mental Health Day 2026: lived experiences heard: real voices, real change. Genebra: WHO, 2026.who.int ↗ (abre em nova aba)